Tudo que menos esperava era que o acontecido acontecesse, havia chegado atrasado, perdeu aqueles minutos a mais de sono pra ver a vida passar pela janela de um ônibus.
Como ele achava aquilo estressante, viva fazendo conta de quantas coisas ele podia fazer se a logística da vida não fosse tão complicada. Apesar dos pesares, esse tempo não era em sua totalidade perdido, havia aprendido a pensar e a criar opiniões sobre assuntos que vinham à cabeça enquanto se horrorizava com as pichações nas ruas do centro. Enfim chegou, ali sim, tudo tendia a melhorar, o ambiente agradava mas aquele dia sabia que alguma coisa seria diferente, sentia um aperto no coração. Buscou os amigos mas nenhum daqueles assuntos lhe interessava, sentia falta de alguém específico, um alguém que nunca existiu, um alguém que ele amasse.
Pode parecer dramático mas todos já passaram por isso, sentir falta de alguém que não sabe quem.
Sentia-se estranho, idealizava uma mulher que sentia medo em nunca encontrar, ou então, quando encontrasse, já houvesse idealizado outra.
Mesmo com a cabeça quente seguiu, cumpriu suas obrigações. Cabeça vazia é oficina do diabo. O pior é que sente que tudo que diz respeito ao sentimental pra ele é mais complicado, acontece quando menos espera, nada acontece no momento em que ele deseja.
Assim voltou pra casa, com aquela dúvida de como acordaria no dia seguinte, e se dormiria aquela noite.
Assistiu a um filme, pensou em tudo que aconteceu, definitivamente havia aprendido a pensar, e agora já não o fazia mais somente dentro do ônibus, sentia essa necessidade, e o melhor de tudo, quanto mais pensava, mas tinha a certeza de que não sabia de nada, e de que sempre será pior que alguém, assim como sempre será melhor que alguém.
Procurou dormir, não conseguiu, mas como todos nós sabemos, uma hora o cansaço vence, e agora resta esperar pra saber como será quando o sol raiar, e se o acontecido acontecerá....